quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Nodo e antinodo






Vamos fazer de conta que estamos bem e somos a familia perfeita como sempre fizemos. Vamos mostrar aos outros o quão únidos (não) somos e o quanto nos divertimos à frente deles... sim à frente deles,  porque o que se passa é  o inverso da moeda pequena que tenho no meu bolso azul. Gostava de sorrir verdadeiramente e dizer que estou bem mas não estou, não estou e nem vou estar nunca, porque o que aconteceu deixou marcas e sempre vai deixar este rancor que só em mim parece existir. Ninguém nota que os sentimentos que nutrimos são só aparência? Sim somos todos boas pessoas, bonitos e com uma personalidade forte mas não somos mais do que homens que vivem para estragar a vida de outros homens.  As falsas felicidades são os nodos da minha vida pois aos olhos dos outros somos a família perfeita mas sob o meu ponto de vista somos fracos e decadentes. 
Eu merecia mais, muito mais, merecia o sol como presente e a lua para poder orar, merecia a Terra para me poder ajoelhar e pedir a Deus que me ajude, mas nem isso me deram. Nao me deram nem a Terra nem uma vida vivida num antinodo, eu queria o topo da crista para lá permanecer. Tenho medo, tanto medo do meu futuro e porquê? Por causa de vós, família. Eu preciso do vento que me leve as angustias e as desconfianças mas nem isso me deram; eu preciso da chuva para purificar esta alma para que possa sobreviver, mas nem a dança da chuva fizeram por mim.
Tenho tanto medo de me entregar e tudo isto por vossa causa, esta raiva toda, este choro a toda a hora por vós família.
Eu quero e vou ser diferente de vós e assegurar que os meus genes são genes de uma pessoa que deu tudo para ser feliz e não para fazer sofrer o meu antecessor. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Não mata mas mói (muito)





Hoje, sou uma árvore, hoje não é a minha alma que passa pelo vento mas é o próprio vento que passará pelo meu esqueleto irto e erguido. Ah!... Hoje que venha tudo contra mim, venham traições, desprezos e comemorações, que venham complicações, doenças e paixões que, eu, continuarei aqui, assim, como se de nada se tratasse.
Hoje, sentirei os problemas e direi que é a brisa a passar, aquela aragem provocadora que no pretérito mais-que-perfeito mexeu comigo, sim, diz-me num futuro que me amarás, ah, vai ser tão bom não te dar resposta neste meu presente (sim porque agora sou uma árvore e nós árvores não falamos com impostores) depois de todas as facadas que deste neste tronco de árvore. Crava no meu tronco o teu nome, mas crava bem, que esta árvore e a natureza, a minha natureza, se ocupará de o arrancar, mesmo que brote a minha seiva que durante tantos meses adocicaste, não vai fazer diferença porque vai ser só mais desta vez que o vou fazer.
A chuva que vai caindo, sabes que faz? Torna as minhas raizes mais fortes e sedentas desta especulação que agora tens e que tanto gosto.
A terra, sabes que faz? Traz-me conforto e tudo aquilo de que preciso.
Os insectos, por fim, são os parasitas de que preciso para limparem estas lágrimas que me ceifaste e é assim que a minha vida vai andando e que a minha seiva vai parando de escorrer, quando parar de vez estarei pronta para sorrir para ti.
Portanto, como vês tenho tudo o que preciso e tu não fazes parte do tudo amor.

(Árvores como vos admiro)